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terça-feira, 11 de setembro de 2018

LULA, HADDAD E O POVO BRASILEIRO - CORDEL

Lula, Haddad e o Povo
Por Reginaldo Veríssimo

O melhor presidente do Brasil
Sofre vergonhosa perseguição
Estrategista como Virgulino
Lula a Haddad passa a missão
Para salvar o país do confisco
Como dizia o valente Corisco
--Sou um cabra de Lampião

--O golpe me encarcerou
Haddad é minha indicação
Uma ideia não se apreende
Por mais fornido grilhão
Não sou nenhum maluco
Sou filho de Pernambuco
Assim como o Lampião

A elite fingida não perdoou
Na minha administração
Negro e índio virou doutor
Pau de arara andou de avião
Na urna ninguém me enfrenta
Haddad hoje me representa
Ele é minha ressurreição

Chamam-me de analfabeto
Pelo mundo fui condecorado
Nisto tem muito de inveja
Da rançosa elite do passado
Donde a direita é resultante
Haddad é meu representante
Com ele é golpe noucateado

IILula, Haddad e o Povo

Sou uma vítima inocente
Deve ser uma provação
Afastaram-me das ruas
Os golpistas de plantão
FHC e a sua pinguela
Com Haddad e Manuela
Venceremos esta eleição

Amargo uma prisão política
Está mais do que provado
Mesmo sem nenhuma prova
Fui velozmente condenado
Assim recomendo Haddad
Desde o campo até a cidade
Pra nesta eleição ser votado

Jaz um judiciário nocivo
O Direito se fez político
A toga condenou o povo
Trocar trabalho por bico
Haddad traz a esperança
É mais comida na pança
É a mensagem que indico

O golpe segue sua narrativa
Minha ideia voa como pluma
As togas negras recrudescem
Nos tribunais não ganho uma
O TSE nem a ONU obedeceu
Fernando Haddad vai ser eu
A vitória do bem se avoluma

III. Lula, Haddad e o Povo

Com os Trópicos agitados
2013 inicio da manipulação
A Democracia se balança
O judiciário avança a mão
O legislativo uma bomba
Onde deputado rir e zomba
Rasgaram a Constituição

O fascismo vai ter baixa
O entreguismo cessará
Lula agora é uma ideia
Que se propaga pelo ar
Indica Fernando Haddad
Um cidadão sem maldade
Para esse Brasil restaurar

A nação foi sabotada
O epicentro em Brasília
Forjaram um impeachment
Cunha liderava a matilha
“Com o STF e com tudo”
Esse tribunal ficou mudo
Temer chefia a quadrilha

Rapinas o país destruíram
Por desculpas a corrupção
Na verdade os sem votos
Querem mandar na nação
É um desenfreio sinistro
Juiz enquadrando ministro
Só Haddad tem a solução

IV. Lula, Haddad e o Povo

Venderam nosso pré-sal
Queimaram a cê ele tê
Os royalties da educação
As crianças não vão ter
Por isso Lula é Haddad
Com toda a integridade
Para tudo isso reverter

A dilapidação é crescente
A Eletrobrás está na mira
A Embraer foi negociada
Na Globo só sai mentira
Lula disse para Haddad
--Vá e só fale a verdade
Essa é tua ninguém tira

O preço do gás nas alturas
14 milhões sem ocupação
A gasolina sobe todo dia
Pro pobre restou o carvão
E uma carrada de maldade
Por isso Lula traz Haddad
Pra resolver esta questão

Lealdade para mim é verbo
Diz Haddad ao professor
--Tenho formação política
Na academia sou doutor
Direito, Economia e a bula
Aprendi com o velho Lula
Como ser um bom gestor

V. Lula, Haddad e o Povo

Não se esquecer dos pobres
Uma lição que levo a sério
Fui gestor de São Paulo
Na educação, o ministério
Deixei 100 bi de orçamento
Não descuidei um momento
Só com técnica e critério

Haddad é um cara do bem
Diz Lula para sua gente
--Podem votar sem medo
Nesse jovem e inteligente
Vai fazer o que eu disser
Vai empoderar a mulher
Botar o Brasil pra frente

Faremos o Brasil crescer
Para isso não tem estorvo
Vai ser uma nação plural
É Lula, Haddad e o povo
Gerando emprego e renda
Casa ao invés de tenda
É o Brasil feliz de novo

--Do cárcere dou as cartas
Fiz disso a minha missão
Não renuncio a dignidade
Em catedrático dou lição
É Corrida em revezamento
A Política o instrumento
Pra Haddad passo o bastão

Teresina (PI), 07 de setembro de 2018.
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terça-feira, 21 de agosto de 2018

A LEITOADA DOS FILHOS E AMIGOS DE BURITI

A leitoada foi uma festa e tanto, digna de aplausos de pé e demorados, citação esta apreciada pelo conterrâneo José Deusaniro de Faria Freitas Júnior, o Deusanirinho, uma espécie de reverência que ele faz quando algo lhe agrada.  Festa jamais vista por estas bandas, ganhou corpo em torno da polêmica relativa ao sumiço de uma leitoa, iniciada quando o animal estava a ganhar peso em um chiqueiro de conhecidos, de onde desapareceu, e que seria sacrificada numa festa de amigos, por ocasião dos festejos de Nossa Senhora Santana em Buriti de Inácia Vaz, ou só mesmo Buriti, nome oficial da cidade.

Em razão da grande dimensão deste fato que ganhara as redes sociais, principalmente na plataforma digital do aplicativo batizado por WhatsAAp, mensageiro mais popular do país, o que seria um encontro de gatos pingados, transformou-se numa grande festa chique, regada a uma culinária típica das terras de Inácia Vaz, diversificada e farta, teve leitoa assada e guisada, panelada, feijoada, galinha caipira, churrasco, arroz branco, de pequi e baralhado, cerveja, refrigerantes, principalmente o Jesus, música ao vivo[i], ideia materializada por Odilene, e outras coisitas mais, como a distribuição do brinde do chaveiro da leitoa, inclusive poesia[ii] fechando o cardápio.

Agendada com antecedência para o dia 23 de julho, auge das comemorações católicas da city, em função da padroeira local, momento em que a maioria dos buritienses forasteiros pudessem estar presentes, o furdunço realizar-se-ia no Bar do Careca, figura que ficou conhecida neste episódio como um dos fiadores da abdução da leitoa, mas o grande rega-bofe mesmo terminou por acontecer na bela e aconchegante chácara da professora Valdilene, que além de ceder o espaço também, literalmente, meteu a mão na massa, com a disposição que lhe é inerente.

E por ironia do destino ou mesmo para livrar-se das indiretas, o Careca vendeu o bar, e segundo ele próprio, o comprador exigiu as chaves no exato no dia da festança. Mas nem assim o esperto vendedor se livrou das acusações as quais temia, como é amicíssimo do Odair do Faquinha, o dono da leitoa da confusão, não teve como recusar o convite do dileto primo, pois passou a festa inteira sendo achincalhado pelos colegas, mas é claro por pura diversão. Outro implicado no convescote clandestino, o Maspim, não se importava com as pilheras[iii] a ele dirigidas, presente desde o início, ao contrário de David, seu filho, que sequer compareceu.

O evento ganhou volume, comando e organização a partir dos integrantes do núcleo do coletivo do WhatsApp, denominado Filhos e Amigos de Buriti, citado alhures. Convidados os familiares e a quem mais se dispusesse a marcar presença. A galera compareceu em peso. Os originários do grupo, felizes, vestiam camisas comemorativas e tudo. Deusanirinho, um dos pais do evento, das suas listas de serviços, vieram as contribuições, os pratos típicos, disso nasceu poesia de cordel que virou banner, por ele mesmo interpretada, muita comida, bebida, musica, conversa amiga e diversão, teve até a loção do Armando[iv] e Renardo Almeida no violão.

Confraternização, celebração de amizades, convívio mesmo que por efêmeros instantes, são os reais e verdadeiros motivos de uma festa como essa. O factoide da leitoa do Odair, nesse aspecto, cumpriu a função social de ponte, de caminho, de interligação, um acesso, um atalho para uma motivação maior, qual seja, a gratificante interação transmutada das telas digitais dos smartphones em forma de mensagens de áudio ou de dados, que mais isolam do que incluem, para o corpo a corpo, para o ao vivo, para o tete a tete, proporcionando muitos significados, aromas, paladares, audições, visões e quem sabe toques já esquecidos que só ali puderam ser rejuvenescidos, é a incessante busca pelo enigma.
A leitoada mesmo com a mudança de local de última hora, não deixou nada a desejar, o sítio da Valdilene nos proporcionou ambientação saudável, todos puderam exercer suas performances individuais e coletivas como bem lhe aprouvesse, sem constrangimentos, seja no prato com a leitoa assada ou cozida, na mesa de conversas, dançando com seus pares, ouvindo músicas bacanas, poesia de cordel, discursos de agradecimentos, roteiro para novos encontros e cerveja gelada, item que deve sofrer adaptações. No mais foi um golaço. Parabéns a todos os filhos e amigos de Buriti, direta e indiretamente, envolvidos na organização dessa belíssima festa. Que venham outras e outras mais.


[i] A música da leitoada esteve a cargo da banda H3 de Coelho Neto.
[ii] O cordel que relata os fatos sobre o sumiço da leitoa do Odair, é intitulado de “A abdução de uma leitoa a la Buriti”, de autoria de Reginaldo Veríssimo.
[iii] Coisa que se diz com o intuito de ser engraçado; graça, piada: não havia quem não fizesse uma pilhéria sobre a situação da leitoa abduzida.
[iv] Trata-se de uma infusão malcheirosa que o Armando Machado costuma lambuzar invariavelmente o pescoço dos presentes, nas festas que participa.
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domingo, 11 de fevereiro de 2018

O Alambique de Maria Izabel, por Walnice Galvão*

Maria Izabel e seu alambique
Dona Maria Isabel, esta aí da imagem, ocupou o pódio de conferencista outro dia, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP, uma espécie rara: uma mulher fabricante de cachaça. Ou, em suas próprias palavras, uma “cachaceira”.
Esta raridade vem de Paraty, onde planta cana em curvas de nível no sítio à beira-mar Santo Antonio, passa-a pela moenda, destila-a no alambique, engarrafando e vendendo a cachaça de primeira e com appelation contrôlée (como dizem os franceses) que leva seu nome: Maria Izabel.
O nome, tal como figura no rótulo, já é todo um romance. Não tão narcisista, conta que tentou registrar o nome de Santo Antonio, que é o do sítio. Entretanto, todos os nomes de santo já estavam tomados. Um dia, chegando a um boteco de beira de estrada de fregueses seus, ouviu uma discussão sobre “a Maria Izabel”, e achou esquisito até perceber que a discussão era sobre a cachaça, não sobre sua pessoa: a cachaça já tinha nome na boca do povo.
Faltava o rótulo, que acabou tendo ilustre linhagem. Quem o criou, por gentileza de Liz Calder, fundadora da editora inglesa Bloomsbury e veranista de Paraty, foi o designer Jeff Fisher, ilustrador da saga de Harry Potter, florão da editora. Bem naïf, mostra uma paisagem tropical paradisíaca. Liz Calder, afora tudo isso, é também a criadora da Flip, ou Festa Literária Internacional de Paraty.
A conferencista conta com muita simplicidade que não decidiu mudar o mundo nem fazer uma grande bebida, mas começou plantando cana nesse pedaço de chão de apenas 4 hectares, na baía de Paraty, e, de passo a passo e quase sem perceber, quando viu estava fabricando uma excelente cachaça.
Não chegou lá sozinha, mas procurou produtores experientes de outros engenhos, consagrando-se à preciosa aprendizagem. Um deles foi o finado Pedro Peroca da Fazenda do Fundão, que lhe ensinou a técnica secreta da fermentação, que ela, em atenção a ele, não divulga de jeito nenhum.
Passou a experimentar diferentes barris e diferentes madeiras, até acertar em duas: o jequitibá que interfere menos e o carvalho que interfere mais, nos quais a bebida repousa no mínimo por um ano.
Faz questão de que tudo seja orgânico e biológico, com aproveitamento total. O bagaço da cana moída e o vinhoto vão adubar a plantação. Mantem uma enorme composteira, onde recolhe todo o lixo que sobra do processo, somado ao da casa e ao do galinheiro.   
Dá conta de tudo com apenas quatro funcionários; mas ela mesma não tem medo de trabalho e põe mãos à obra o ano inteiro, mais no período da safra anual, menos na entre-safra. Só o processo obrigatório de limpeza todo ano de todas as fases do processo – alambique e artefatos de apoio – para evitar a formação do óxido de cobre ou azinhavre, venenosíssimo, já é pesado. Tudo é areado com devoção e cuidado. A serpentina, que devido a sua forma e calibre não pode ser esfregada por dentro, é lavada com suco de limão-cravo (tal como nossas avós faziam com os tachos de cobre, adicionando sal), de que são necessários 40 litros por vez, o que obriga Maria Izabel a plantar limoeiros e armazenar os frutos, inclusive congelando-os.
A melhor cachaça, diz ela, é aquela feita com cana recém-cortada e, portanto, não estocada. Porque se demorar um pouco, a cana já começa a fermentar e resulta em acidez. Todo o processo exige rigor e pureza absoluta, porque qualquer imperfeição vai incidir sobre o gosto final.
A produção é pequena, variando entre 6 e 8 mil litros por ano, mas ela não tem intenção de aumentá-la, porque isso implicaria em abdicar do critério artesanal e da qualidade.
Ultimamente está tentando obter aprovação oficial para o resgate de uma preciosidade, a Laranjinha Celeste, denominação que descobriu nos papeis de seus antepassados “cachaceiros”. Trata-se de uma cachaça destilada com folhas de mexerica, que lhe conferem um perfume especial e a tornam azulada: donde o lindo nome. Antigamente, ela era fabricada por seu mentor e mestre, mas foi-se com ele. Ele era famoso pela “Azulada do Peroca da Fazenda do Fundão”, rótulo que é a soma de duas redondilhas maiores, esse verso típico da poesia lusobrasileira. Tomara que consiga.
*Walnice Nogueira Galvão é Professora Emérita da FFLCH-USP
GGN
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